Em Maricá, cidade que nos últimos anos tem ampliado seu protagonismo cultural no estado do Rio de Janeiro, algumas figuras se destacam por transformar a arte em ferramenta de mobilização social. Entre elas está Aduni Benton, atriz, diretora teatral, produtora cultural e liderança comunitária cuja trajetória conecta palco, ativismo e construção de políticas culturais no território.
Construiu uma trajetória sólida e multifacetada nas artes cênicas, unindo formação acadêmica, criação artística, direção e produção cultural. Bacharel em Artes Cênicas, com formação pela Escola Estadual Martins Pena, UNI-RIO e Universidade Cândido Mendes, Aduni também amplia sua pesquisa com pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil, o que atravessa sua atuação artística com profundidade estética, política e identitária.
No campo teatral, sua atuação ganha destaque com a criação da Cia. É Tudo Cena em 1996, grupo dedicado à produção de espetáculos, oficinas e projetos voltados à democratização das artes cênicas. Desde então, dirigiu e atuou em diversos espetáculos, destacando-se por trabalhos de relevância no cenário cultural fluminense, como a direção de “A Mitologia dos Deuses Africanos – Orixás”, em 2001, no Teatro João Caetano/RJ, com a atriz Léa Garcia no elenco, e de “Paulo Benjamin de Oliveira – O Paulo da Portela”, em 2015, na Sala Baden Powell, em Copacabana, com Zezé Motta e grande elenco. A companhia tornou-se um importante espaço de formação artística em Maricá, aproximando jovens e moradores da cidade do teatro e de outras linguagens culturais. Ao longo de sua trajetória, Aduni também conduziu oficinas de teatro e processos formativos, ampliando o acesso à expressão artística e incentivando novos talentos locais.
Sua presença nas artes cênicas se expande também para o audiovisual, com estreia no cinema em 2024, no curta “Olhar”, de Diogo Drosa, com direção de Antônio Molina, e participação, em 2025, no curta “Quilomboah”. Com uma trajetória marcada pela valorização da cultura negra, da memória e da representação, Aduni Benton afirma-se como uma artista de grande potência criativa, cuja atuação nas artes cênicas dialoga diretamente com sua militância cultural e sua contribuição para a construção de narrativas mais plurais e enraizadas na ancestralidade brasileira.
Em Maricá, Aduni Benton é reconhecida como liderança social e articuladora de movimentos culturais e políticos ligados à negritude e ao protagonismo feminino. Em 2013, fundou a UNEGRO em Maricá; 2016 fundou o MOVIDADE; em 2018 fundou o FEMNEGRAS de Maricá; em 2021 fundou a Galeria da Velha Guarda da União de Maricá, iniciativas que promovem debates, encontros e ações voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e à luta contra o racismo estrutural.
Essa atuação a levou a participar de diversos eventos e mobilizações importantes, como a Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, além de rodas de conversa, conferências e atividades voltadas aos direitos humanos e à igualdade racial. Em diferentes espaços públicos, Aduni tem defendido a ampliação da participação das mulheres negras nos processos de decisão e nas políticas culturais da cidade.
Sua relevância também se reflete na presença constante em eventos culturais e na imprensa local. Ao longo dos anos, Aduni esteve envolvida em iniciativas como debates sobre o Dia Internacional da Mulher, exposições sobre a luta das mulheres negras e eventos culturais promovidos pela Prefeitura de Maricá e por coletivos culturais da região.
No campo da cultura popular, Aduni mantém vínculo com a GRES União de Maricá, participando da Velha Guarda da agremiação, o que reforça sua ligação com o carnaval e com as tradições culturais do município. Essa conexão com diferentes expressões culturais, do teatro ao samba, da militância à formação cultural, revela uma trajetória marcada pela diversidade de atuação.
Nos últimos anos, sua participação em eventos literários e culturais ampliou ainda mais sua visibilidade. Na Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM), por exemplo, Aduni integrou mesas de debate dedicadas à cultura negra, arte e pensamento crítico, consolidando sua posição como uma das vozes relevantes no debate sobre cultura, identidade e cidadania no município.
Ao observar sua trajetória, fica evidente que Aduni Benton construiu uma atuação singular na vida cultural de Maricá. Sua presença articula arte, território e política cultural, contribuindo para fortalecer redes comunitárias, ampliar o acesso às artes e valorizar a identidade afro-brasileira na cidade.
Mais do que artista ou ativista, Aduni Benton representa uma síntese rara: alguém que transforma o fazer cultural em prática de cidadania. Em uma cidade que cresce e busca consolidar sua identidade cultural, sua trajetória demonstra que a cultura não é apenas expressão artística; é também instrumento de memória, resistência e transformação social.

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